Saúde Mental

A importância das emoções na saúde e no nosso dia a dia

23/03/2026 16:19 5 min

Nossa cultura tende a apreciar algumas emoções e desprezar outras. Muitas vezes nos sentimos culpados por estarmos tristes ou com raiva e tentamos insistentemente, mas sem sucesso, livrarmo-nos delas.  Algo que não aprendemos e que fará toda a diferença na solução de problemas do cotidiano é entender sobre emoções. Assim como os sintomas, as emoções tem um papel importante na comunicação do nosso organismo e possuem uma função específica na manutenção da nossa existência e grande relevância adaptativa e evolutiva. Precisamos aprender a lidar com cada emoção, entender como nosso organismo funciona e como somos afetados pelo ambiente ao nosso redor.

Conforme definido em meu último texto, comportamentos são definidos como a resposta/reação dos indivíduos a partir de sua interação com o meio. Ou seja, comportamentos, pensamentos e sentimentos são respostas frente a uma demanda do ambiente. Essa definição nos auxiliará na compreensão de como reagimos a determinados estímulos, qual a qualidade das nossas relações com esse meio: é um ambiente onde há todos os recursos necessários? É um ambiente hostil, no qual preciso me defender de possíveis ameaças? É um ambiente respeitoso?

As emoções são essenciais para a interpretação das demandas do ambiente. São elas que nos auxiliam a interpretar quais os desafios serão enfrentados e estão relacionadas às respostas fisiológicas de preparação do organismo para o enfrentamento da situação identificada. Ou seja, as emoções tem um papel fundamental na forma como reconheceremos um problema e como  reagiremos a ele.

Mas como entender as emoções? Como identificar, sem equívocos, o que elas significam e ter uma resposta mais adaptativa?

O filme Divertida Mente, da Pixar, estrelado em 2015, dá uma aula sobre a importância das emoções no nosso dia a dia. Um roteiro brilhante, que ajudará na Psicoeducação de crianças e adultos:

 

Alegria: é como se fosse o "sinal" de que temos todos os recursos necessários para seguir em frente. É como um carro: o MARCADOR DE COMBUSTÍVEL informa que estamos como "tanque cheio". Assim como um carro com tanque cheio, estamos abastecidos e satisfeitos para iniciar nossa jornada.

 


 

Tristeza: é um sinal de que alo importante faz falta. A tristeza é nosso MARCADOR DE COMBUSTIVEL avisando que estamos na reserva. Outro exemplo interessante que poderia definir a tristeza seria a LISTA DE COMPRAS. Quando falta algo em nossa despensa, precisamos fazer a lista de compras. A tristeza é quem indica o que está faltando para nós. Mas detalhe: ela só faz a lista! Nós é quem precisamos estar sensíveis a perceber tais sinais e ir atrás do que nos falta!

 


 

Raiva: é um sinal de que precisamos lutar! Algo no ambiente foi percebido como uma ameaça aos nossos direitos ou dos outros. Situações de injustiça, desrespeito podem eliciar tal emoção. Frustrações ou situações no qual precisamos argumentar podem causar a mesma sensação. A raiva tem um papel importante na preparação do organismo para o enfrentamento. Por isso, precisamos utilizá-la de forma produtiva, ou seja, ela não pode estar "fervendo" nem ter "esfriado". Para agirmos de forma assertiva, é necessário dosar a raiva ao nosso favor.

 


 

Medo: É um sinal de perigo. Quando sentimos medo, temos maior cautela e nosso organismo se prepara para lutar ou fugir. Mas e quando o medo nos paralisa? O que fazer? Assim como a raiva, precisamos de uma dose de medo para respeitarmos nossos limites, sermos cautelosos e cuidadosos ao lidar com situações que envolvam risco. E para dosar adequadamente, é necessário identificar e nomear corretamente o que realmente estamos temendo. Assim, conseguiremos buscar os melhores recursos para lidar com a situação e o medo se ajustará à demanda. Será apenas cautela e cuidado!

 


 

Nojo: É um sinal de que algo pode ser perigoso á nossa saúde. Assim como o medo, é um recurso de nosso organismo para evitarmos situações que colocam nossa vida e saúde em risco, como a falta de higiene, alimento estragado, secreções que podem transmitir doenças etc. Assim como outras emoção, tende a se ajustar a partir de questionamentos e análise mais detalhada dos motivos reais para seu surgimento.

 

 


 

Quando não escutamos atentamente nossas emoções, elas tendem a falar alto e até gritar para serem ouvidas! Ou seja, quando sentimos emoções intensas e fora de controle, pode significar que nossas necessidades não foram atendidas a tempo. Procrastinar nossas necessidades pode resultar no adoecimento. Por isso, cuidar da saúde é também cuidar das nossas emoções, pensamentos e ações!

 

Psicóloga Márcia Elizabeth S. Romeiro | CRP 06/107472

Márcia é Psicóloga e Psicopedagoga na Seminare Psicologia & Saúde. Atende crianças, adultos e casais.

Especialista em Psicologia Clínica – Terapia Comportamental e Cognitiva pela Universidade de São Paulo – USP,  Formação em Terapia Cognitiva Comportamental  pelo Centro de Estudos em Terapia Cognitiva Comportamental – CETCC e Especialista em Psicopedagogia pela Universidade Braz Cubas.